sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Um beijo, duas xícara vazias;


Um silêncio profundo se fez. Olhares desviados, tiques nervosos.
(…)
– Quando é que você parte?
– Amanhã, cedo.
– Você precisa mesmo ir?
– Precisar, não preciso. Mas cê sabe, é melhor.
– Melhor pra quem? - o tom da voz dele subiu, seus olhos ficaram apertados.
– Melhor pra mim e pra você, é claro.
– Você nem ousa mais dizer “nós”. Logo você, que só usava essa palavra.
– Não torna as coisas mais difíceis.
– Pra você é fácil - ele virou o rosto enquanto bufava.
Silêncio (…)
– Não diz besteira. É pior pra mim.
– Por quê?
– Porque eu preciso ter força suficiente pra abandonar uma história linda, mas que infelizmente virou história.
– E eu preciso esquecer que você me abandonou por não me amar mais.
– Eu te amo… E talvez essa seja minha maior motivação.
– Tudo, menos amor. Diria até que seja covardia.
– Covardia é ficar só por não ter peito suficiente pra aguentar uma separação.
– Você não me ama mais.
– E você, me ama? 
– Que pergunta mais idiota! É claro que eu te amo.
– Me ama tanto que só enxerga o teu jeito de amar. Só enxerga o teu desejo, o teu sentir. Amar é preocupar-se com a felicidade do outro. Eu me preocupo com a tua!
– Minha felicidade é você!
– Sua felicidade é o comodismo. Você sabe que não estamos bem há meses.
– Quer saber? Você quer ir embora? Então vá.
Ele se levantou da mesa, bateu a porta da cafeteria. Andou até o orelhão da esquina. Bufou. Permaneceu ali durante cinco minutos. Voltou até ela.
– Saiba que eu te amo. E eu acredito no teu amor.
Deu-lhe um beijo longo. Foi embora sem olhar pra trás.

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