Eu me descubro ainda mais feliz a cada pedaço seu e de tudo o que é seu... Às vezes você é tão bobo, e me faz sentir tão boba, que eu tenho pena de como o mundo era bobo antes da gente se conhecer. Eu
queria assinar um contrato com Deus: se eu nunca mais olhar para homem
nenhum no mundo, será que ele deixa você ficar comigo pra sempre? Eu
descobri que tentar não ser ingênua é a nossa maior ingenuidade, eu
descobri que ser inteira não me dá medo porque ser inteira já é ser
muito corajosa, eu descobri que vale a pena ficar três horas te olhando
sentada num sofá mesmo que o dia esteja explodindo lá fora. E quando já
não sei mais o que sentir por você, eu respiro fundo perto da sua nuca, e
começo a querer coisas que eu nem sabia que existiam. Quando
deitamos ali e seguramos um na mão do outro, eu senti um daqueles
segundos de eternidade que tanto assustam o nosso coração acostumado com
a fugacidade segura dos sentimentos superficiais. Eu
olhei para você com aquela sua camisa que te deixa com tanta cara de
homem e me senti tão ao lado de um homem, que eu tive vontade de ser a
melhor mulher do mundo. E eu
tive vontade de fazer ginástica, ler, ouvir todas as músicas legais do
mundo, aprender a cozinhar, arrumar seu quarto, escrever um livro, ser
mãe. E aí eu só olhei pra bem longe, muito além do Sol, e todo o
meu passado se pôs junto com ele. E eu senti a alma clarear enquanto o
dia escurecia. Eu preciso disfarçar que não paro mais de rir, mas aí
olho pra você e você também está sempre rindo. Se isso não for o motivo
para a gente nascer, já não entendo mais nada desse mundo. Engraçado
como eu não sei dizer o que eu quero fazer porque nada me parece mais
divertido do que simplesmente estar fazendo. Ainda que a gente não
esteja fazendo nada. Eu, que sempre quis desfilar com a minha alegria
para provar ao mundo que eu era feliz, só quero me esconder de tudo ao
seu lado. Eu limpei minhas mensagens, eu deletei meus e-mails, eu matei
meus recados, eu estrangulei minhas esperas, eu arregacei as minhas
mangas e deixei morrer quem estava embaixo delas. Eu risquei de vez as
opções do meu caderninho, eu espremi a água escura do meu coração e ele
se inchou de ar limpo, como uma esponja. Uma esponja rosa porque você me
transformou numa menina cor-de-rosa. Você me transformou no eufemismo
de mim mesma, me fez sentir a menina com uma flor daquele poema. Você diz que me quer com todas as minhas vírgulas, eu te quero como meu ponto final.

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