quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Eu sei que você me pede o tempo todo para parar de ser quem eu sou, para exorcizar essa parte minha que te conta aos berros meus segredos, para ir embora. Mesmo que goste da minha cintura, mesmo que precise do que eu te grito para o seu ego inflar, mesmo que não saiba ficar sem me olhar. Eu sei que me pede para parar com isso tudo. Eu também me peço. E, não, eu não vou dizer que é mais forte do que eu. Nada em mim pode ser mais forte do que eu, muito menos você, muito menos a fração de você grudada nas minhas paredes. Não é mais forte do que eu, mas eu continuo. E, olha, cara, nem sei porquê. Talvez seja por que eu necessito escrever e você acompanhado da enxurrada de coisas secas que me faz sentir e pensar é o caminho mais fácil para isso. Talvez por que eu sou teimosa e, tão criança, que me cego o tempo inteiro te desenhando nas minhas pupilas da forma que eu quero, e tão somente da forma que eu quero (ou, maybe, da forma que você realmente é, mas é tão irreal que vira desenho) e preciso correr para passar pro papel afim de te eternizar. E, talvez, provavelmente, porque o escritor sempre tem razão. Vai dizer que Bukowski não tinha razão (tenho que parar com essa merda de associá-lo a nós dois, não tenho o direito)? Vai dizer que Drummond e Nietzsche não tinham razão? Mesmo que a razão não existisse, existia só por ser bonito. Eu sei que não sou nenhum dos três, mas, mesmo que nada, absolutamente nada do que eu imagino (espero e quero) que vá acontecer realmente aconteça, terei razão. Porque é bonito. Nós dois somos bonitos no papel. As pessoas por aí nos acham bonitos sem nem ao menos nos conhecer, sem nem ao menos saberem seu nome, sem nem ao menos existir um “nós dois”. Então, me deixa escrever. Me deixa viajar nas veias das suas mãos, no seu lábio superior e na sua virilha escrevendo. Me deixa, certo? Nem lê. Ou então lê como se não fosse para você. Lê como as outras pessoas leem. Bonito, admirável, nostálgico. Eu sei, é impossível. Também é impossível deixar de te enviar cartas que nunca chegam, que nunca acertam o alvo do recado e do entendimento, que nunca te trazem. As coisas com a gente são tão impossíveis quanto eu deixar de escrever para você e você deixar de Gessingeriar. Nós dois somos impossíveis.
“Well I know all the words to take you apart…” mas você não quer ouvi-las da minha boca. Yasmin.

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