sábado, 15 de dezembro de 2012

Procurei ontem depois da chuva, e semana passada quando o sol estava ganhando e fazia um calor dos diabos. Te esperei vendo sol de por atrás das árvores, vendo as paisagens se sucederem do outro lado do vidro, vendo os dias morrerem em algum ponto na orla do mundo. Te procurei em silêncios e em palavras tolas, de vazio um tão latente que preenchia tudo dentro de mim. Te procurei em jogos de sorte, em fotos de perfils na internet, nos murais, nos outdoors, em abraços que me tiravam do frio, em cada beijo que me chegou a boca, em cada carícia que não permiti que saísse de mim. Te procurei nas lágrimas que cortaram meus olhos, nos risos que sacudiram meu corpo, nos arrepios que mexeram meus pelos. Te esperei nas noites de sábado que chorei vendo comédia-romântica, nas madrugadas riscando o papel com cartas que nunca chegaste a ler, em manhãs de domingos cálidas e cheias de inspirações. Te procurei em todos os corpos que habitavam aquela sala escura matizada de luzes, te procurei sentindo o frio de não saber mais aonde ir, te procurei sem saber mesmo aonde procurar. Te esperei com o coração arrombado de saudade, com a garganta rasgada, com as mãos tremulas, com a cabeça tonta e gosto de álcool na ponta da língua. Te procurei do outro lado da linha, do outro lado do mundo, em algum canto do mundo, contemplando a lua sob o mesmo céu que eu. Te esperei com música no rádio, com lágrimas nos olhos, com o coração no bolso de alguém, com a respiração descompassada, como uma nódia embotada, eu te esperei. Procura e espera, espera e procura, como se não soubesses onde andas, como se não soubesses se não vem, enfim, e que se eternize a idiota, que idiotamente tenta mostrar que para números ímpares existe prova real.
Tutorial de como ser idiota, tratar aqui. N.B.

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